Medo - Agora em Outra Casa
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Meia noite e quinze. Estou eu, jogando "Amnesia - The Dark Descent", o pior survival horror que eu já vi na vida. Não por ser ruim, mas quando se diz que um jogo survival horror* é ruim, quer dizer que ele te amedronta muito, e etc; e esse tal de "Amnesia" é o pior survival horror que eu ja vi na vida. O jogo é completamente escuro e amedrontador. A cada passo que você dá, seu nível de sanidade vai abaixando (não somente no jogo); seu medo vai aumentando, seus sentidos vão ficando um pouco mais aguçados (você enxerga melhor, e possui melhores reflexos quando está assustado); qualquer barulho em sua casa lhe deixa em estado de pânico; qualquer som vindo de fora de sua casa lhe apavora, e você começa a se imaginar morrendo, aos poucos, em milhares de cenas imaginadas pelo seu cérebro. Mas vamos a história de hoje...
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| Não há armas no jogo. Faça o que você faria na vida real: correr. |
[...]o pior survival horror que eu já vi na vida. Meu sangue estava correndo por minhas veias rapidamente, como um raio que atinge uma árvore em menos de um piscar de olhos, e a despedaçando toda. Meu coração batia feito um rádio tocando música alta, minhas espinhas sentiam frio constantemente, e as minhas pupilas estavam dilatadas. Qualquer som que eu escutasse dentro e/ou fora do maldito (seja) jogo, me deixava em estado de choque. Me corroía. Me amedrontava. Me fazia querer chamar desesperadamente alguem para passar o resto da noite comigo, me acalmando. Mas não, tudo que eu tinha para me acalmar, era o botão ESC do teclado. Que por sinal nunca me pareceu tão bonito e alegre. Ele parecia estar dizendo: "Vá André, me aperte. Pare de parecer uma menina de três anos chorando pelo ursinho de pelúcia perdido, e vá assistir alguma comédia para lhe animar um pouco", mas algo em mim falou mais alto: "Continue André. Prove que você é forte e corajoso, que nada te atormenta. Que isso é apenas um joguinho besta feito por uma empresa não muito conhecida, que não merece tanto mérito assim pelo que fez. Aliás, nenhum amigo seu conhece esse jogo, se você falar que ficou com medo dele, todos irão zombar de você. Mas se você terminá-lo e falar para algum amigo: 'Nossa cara, eu terminei o Amnesia - The Dark Descent, e não senti medo algum', seus amigos ficaram curiosos, jogarão o tal maldito (seja) jogo, e ficaram aterrorizados. Ou seja, você é o cara. E crie moral, seu primo lhe desafiou a jogar!". E com isso, eu continuei, sem rumo, a jogar esse tal survivor horror. Continuei a sentir medo. Continuei a pensar que existe algo ali naquele espaço obscuro ao lado do meu quarto me observando, e rindo de mim. Continuei, a cima de tudo, a "imaginar" sons em todos os lugares. Cachorros latindo, gente gritando por socorro, portões sendo arrombados, bebês chorando... eu morrendo.
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Até que houve uma hora em que, eu percebi que quase tudo isso que eu "escutei", não era parte de minha imaginação. Havia sim gente gritando. Havia sim bebês chorando. Havia sim... um portão destruído. Eu tinha parado de jogar (para retomar o fôlego), e pensei em ir na cozinha tomar um copo de leite com chocolate, para acalmar os nervos. E foi então que ouvi um pequeno som, que poderia ser reproduzido por uma onomatopéia vista em muitos quadrinhos: "BUÁÁÁÁÁÁ". Quase deixei cair meu copo de leite quando me dei conta de que eu não estava "ouvindo coisas". Aquilo era real, e havia um bebê chorando, e uma voz de mulher pedindo misericórdia e falando "Por favor, por favor", sem parar. Eu não tive mais coragem de voltar ao computador e continuar minha jogatina de Amnesia. A primeira coisa que me veio à cabeça foi: pegar meu celular, conectar um fone de ouvido no mesmo, e escutar Glee até adormecer. Mas então me veio a mente: "Caralho, o computador tá ligado. Se meu pai acordar de madrugada e ver ele do jeito que está, tomo uma bronca daquelas". Terminei de ouvir Don't Stop Believing, e me dirijo ao escritório, onde o computador se encontra. Vejo de longe uma tela pausada do jogo mais amedrontador do mundo, em 21,5 polegadas, só para piorar. Dou alt + F4, e vejo a imagem mais "bela" do mundo no meu monitor: o papel de parede do jogo Dead Space 2. Tudo bem que o papel de parede é cheio de sangue e corpos, mas qualquer coisa era melhor que aquela imagem totalmente obscura, do Amnesia. Começo a ouvir Iron Maiden e a colocar minhas fotos do meu baile de formatura no Orkut. Enquanto isso, meu vizinho entra no msn. Em 0,1 segundos eu clico na janela que subiu do indivíduo e pergunto: "Nossa cara, você ouviu uma mulher gritando 'por favor, por favor' e um bebê chorando agora a pouco? Cara, quase me fez kagar! Algum bandido entrou na casa de alguem por aqui?". E a resposta dele, foi a mais medíocre, desgraçada, besta, e acima de tudo acalmante da minha vida: "Ah, relaxa. Era eu que tava mudando de canal aqui na TV, e tava passando um filme de terror, que entraram na casa da mina, mataram o marido dela, e tavam quase pra bater nela. A qualidade tava tão boa que passando dessa cena eu mudei de canal, tava passando coisa mais legal na band..."
Abraços, e boa noite.
*Survival Horror: gênero de jogos de videogame na qual o tema é terror
e sobrevivência, ou seja, o principal objetivo do jogo é sobreviver a
fatos inicialmente incompreendidos e misteriosos e, ao longo do jogo,
descobrir o que está acontecendo e uma solução. (Wikipédia)
Não Clique, a não ser que você consiga dormir sozinho todas as noites.


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